História de amor-09

» Quem ela pensa que é?

“Ela não é flor para o seu jardim”. Foi o que ouviu de seu fiel amigo Paulinho.
Como assim, não é flor para o meu jardim?
Ficou pensando sozinho.
Quem ela pensa que é, a Sônia Braga?
É bem verdade que por causa dela ele andava se ajeitando melhor ultimamente, deu até para fazer a barba.
Aos sábados, é bom que se diga, mas quem precisa fazer a barba mais que isso?
Depois de muita insistência de sua vizinha, vendedora aplicada da Avon, comprou um pote de água de cheiro. Escolheu logo o maior, para durar bastante.

“Um homem pode até ser feio, mas tem que ser cheiroso”, costumava dizer sua irmã. Ele não entedia o que ela queria dizer com essa história de homem feio.
Que homem?
Será que ela estava querendo insinar alguma coisa?
Eu será que estava se engraçando para os lados daquele baiano do posto de gasolina?
Ele bem que gosta de tomar banho em perfume. Franziu a testa pensativo.

Bom, mas o que mais o incomodava no momento era aquela história de flor e jardim.
Da onde o seu fiel amigo Paulinho tirou aquilo?
Tá certo que ele até achava o Paulinho meio que um filósofo. Dizia cada coisa o Paulinho que dava para impressionar. À vezes, quando estava aborrecido e tomava umas e outras no bar do Hilário costumava amaldiçoar as pessoas com nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração. Não sabia de onde ele tirava aquelas coisas, e quando alguns diziam que ele fumava uma erva do norte, não se importava, nem queria saber. Amigo é amigo, o resto é trololó. Então, para o Paulinho dizer que ela não era flor para o seu jardim devia ter lá os seus motivos.
Teria ele visto ou ouvido alguma coisa?
Quem ela pensa que é, a Rose di Primo?

Já estava se arrependendo de ter comprado aquela camisa nova. Uma nota Preta! De sorte que conseguiu parcelar em seis suaves. A vendedora era amiga da sua irmã. Simpática a vendedora, mas nem aos pés chegava da sua rainha. Quando a deusa passava na rua, olhando assim assim, pisando macio, o coração dele taratatava de aflição. Ulalá, ulaqui, ulacolá. Ela não sabia que ele existia e desfilava a ignorância de sua existência pelas ruas do bairro. Não sabia por enquanto, porque ele estava se enchendo de coragem para fazer uma abordagem. Enchendo devagar, também é bom que se diga. Um pouquinho a cada dia já fazia quase ano. É que seu reservatório de coragem é muito grande e para encher demora. O que é bom. Um sinal de que é um homem corajoso, só está com o reservatório vazio.

E agora o Paulinho com essa história de “não é flor para o seu jardim”. Que coisa!
Saberá ele de algo mais?
Não acreditava. O Paulinho não era de segredos, inda mais com ele, seu fiel companheiro nas rondas pelos bares do bairro. Ela é que era o problema e ele já estava se convencendo de que aquele caso podia ter um triste fim. E ele já tinha pago duas prestações da camisa nova. Isso sem se esquecer do pote de água de cheiro que ia chegar no fim do mês. A vizinha já tinha avisado. O duro é que tinha que pagar na hora da entrega.
Será que dava para cancelar?, pensou lá consigo.
Não via a hora de se encontrar com seu amigo para chorar as mágoas.
O que uma mulher não faz com um homem não é mesmo?
Mas afinal, quem ela pensa que é, a Márcia de Windsor?

Escrito por: Luiz Fafau
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email;eudersantosemocoes@hotmail.com


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